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Como se destacar na aviação em tempos de crise

CRISE!

Essa palavra parece ecoar em todos os cantos. Ela está nos jornais, nas redes sociais, na rua, no supermercado… e na aviação, obviamente! Eu já perdi as contas do número de conversas que tive com amigos, conhecidos e até mesmo desconhecidos sobre esse assunto.

É impossível negar que economia ruim faz com que a aviação seja um dos primeiros setores a serem afetados. O empresário faz menos negócios e, consequentemente, viaja menos, tanto na aviação executiva como na linha aérea.

Em tempos difíceis, o dono de avião também voa menos e, em muitos casos, se desfaz da aeronave. Devido aos custos de manutenção e o preço elevado dos combustíveis no Brasil, um avião particular é considerado um item de luxo e não é preciso pensar muito na hora de abrir mão.

Porém, antes de entrar nessa seara, vamos voltar um pouco no tempo. Você se lembra de 2011? O mercado da aviação estava totalmente aquecido, as companhias anunciavam compras de novas aeronaves, as seleções não paravam de acontecer e os requisitos mínimos pra um piloto ingressar em uma linha aérea nunca estiveram tão baixos.

Isso sem falar na descoberta do pré-sal, que dava ao setor do off-shore perspectivas astronômicas para os próximos anos, e das novas aeronaves na aviação particular e executiva, que não paravam de chegar. A imprensa, ensandecida e ao mesmo tempo incentivada pelos donos de escolas de aviação e aeroclubes, anunciava aos quatro ventos que iam faltar pilotos.

As salas de aula de piloto privado lotaram. Muitos alunos totalmente empolgados com a possibilidade de formação rápida e, mesmo com o alto investimento, o retorno praticamente garantido. Faltavam instrutores de voo, em parte pela alta demanda, mas também porque as companhias aéreas levavam todos. Horários nas escalas de voo passaram a ser disputadíssimos.

Isso há cinco anos.

Quis expor essa visão do paraíso que tivemos – tão perto e tão distante ao mesmo tempo – para poder falar sobre um assunto que chega a ser até clichê, mas no qual acredito de verdade: o ciclo de altos e baixos da aviação. Tenho certeza que você já ouviu falar sobre isso, mas que em momentos duros como este em que vivemos acaba ficando difícil acreditar em melhoras.

Porém, vamos voltar ainda mais um pouco no tempo. Em 2002 a Transbrasil sucumbiu. Em 2004 foi a vez de Vasp e, finalmente, em 2006 a saudosa Varig foi quem fechou as portas. Em um intervalo de poucos anos foram despejados milhares de tripulantes no mercado de trabalho. Alguns foram absorvidos, outros desistiram e muitos acabaram por emigrar para países que apresentavam melhores oportunidades. A situação não estava fácil.

E então, seguindo o tendência histórica, as coisas foram se ajeitando. A novata Gol foi galgando posições no mercado, a veterana Tam cresceu como nunca, em 2008 surgiu a Azul… e chegamos em 2011. Quem foi persistente e se manteve preparado aproveitou o momento da bonança e conseguiu a tão sonhada vaga.

Mas sabe o que aconteceu com aqueles alunos que foram na onda do oba-oba de 2011? A formação de um piloto dura em média dois anos ou mais, dependendo da capacidade financeira. Então, em 2013 quando eles começaram e entrar no mercado, a aviação já apresentava sinais de desaquecimento. De 2015 em diante eu nem preciso dizer o que aconteceu.

Entendeu aqui aonde eu quero chegar?

As crises vêm e vão. Quem está no mercado há um tempo razoável já conhece a máxima “a aviação é cíclica”. Se você não conhecia, passe a conhecer. Se não acreditava, então passe a acreditar.

Talvez você seja um daqueles alunos de 2011 lamentando a má sorte que teve. O que você tem a fazer é decidir a melhor forma de aproveitar esse tempo de vacas magras e não utilizar a situação política, econômica e social como “muleta” para ficar acomodado. Passe a observar melhor as oportunidades ao seu redor ao invés de ficar se lamentando.

Uma frase creditada ao general americano George S. Patton diz que “quanto mais você suar em tempos de paz, menos você sangra em tempos de guerra”. Então, enquanto muita gente está acomodada e tratando do seu sonho na aviação como se fosse algo distante, é a hora de você ter a visão estratégica aguçada e ir no contrafluxo.

E isso também vale para quem está começando o curso. Sabe aquelas escalas de voo lotadas e a falta de instrutores que falei acima? Isso não existe agora. O piloto consegue se formar com relativa tranquilidade, além de que, para quem sabe aproveitar bem a crise, até a negociação das horas de voo pode ser feita de uma melhor forma.

É a lei da oferta e da procura.

Em cerca de um ou dois anos, quando a aviação retomar o ritmo acelerado de crescimento, você que já estará pronto será um dos primeiros a serem chamados. Quando a imprensa começar a noticiar a nova falta de pilotos (parece inacreditável, mas eles anunciam isso até com essa crise que estamos passando), você não terá que enfrentar a concorrência que irá correndo lotar outra vez as salas das escolas de aviação.

E são esses alunos que novamente levarão dois ou três anos para se formar e sabe-se lá como a aviação estará de novo. E assim o ciclo começa mais uma vez.

Esses dias me perguntaram qual era o perfil do aluno que faz o curso de piloto em meio a essa crise. Eu respondi rindo que “ou é louco ou é completamente apaixonado”. Quero acrescentar outra característica: pensar sempre à frente. E saiba que um piloto feliz e realizado na profissão é um pouco de tudo isso.

7 responses on "Como se destacar na aviação em tempos de crise"

  1. Parabéns, pela forma sucinta, clara e objetiva que você pontuou o cenário da aviação em vários momentos.
    A sua orientação e ponto de vista, contribui em muito, para toda a comunidade aeronáutica.
    Ótimos voos a todos nós !

  2. Alvaro. Muito boa noite.
    Leio todos os seus artigos e gosto muito de acompanhá-lo, porém nunca fiz nenhum comentário a respeito mas dessa vez me sinto na obrigação de lhe parabenizar! Primeiro porque li uma chuva de verdades a respeito da aviação comercial no Brasil e principalmente porque sinto como se esse texto tivesse sido escrito pra mim, como uma injeção de ânimo talvez!

    Iniciei meus estudos na aviação justamente no segundo semestre de 2011, E como você brilhantemente comentou, em uma fase que as promessas para a carreira de piloto eram incessantes e parecia ser a profissão dos sonhos, depois de alguns anos e muito dinheiro investido além de noites e mais noites de estudo percebi que o que predominava mesmo era a paixão pela aviação e o dinheiro ou o status não importavam mais. Conclui os treinamentos (FAA e ANAC) até 2014 e desde então busco uma oportunidade de trabalho. Atualmente estou cursando o 2° ano de Ciências Aeronáuticas em busca de um conhecimento mais vasto e completo além de um requisito adicional para conquistar uma vaga.

    Obrigado pelos artigos publicados e em especial a este que é uma pílula de otimismo para pilotos como eu que por muitas vezes se sentem largados à sorte. Forte abraço.

    Julio Ivo Rintzel

    • Olá Julio.

      A aviação é fascinante, porém muitas vezes não nos contam todos os lados da história. Aviação envolve muita paixão, mas também uma boa dose de persistência e vontade de vencer, coisas que, pelo seu comentário, vejo que você tem de sobra.

      Me sinto honrado por você acompanhar meus textos. Te desejo muito sucesso na carreira e bons voos, sempre!

  3. Um excelente texto Álvaro!

    Retrata de forma muito coerente o cenário real da aviação Brasileira, ciclos e ciclos, e nós, aviadores e futuros aviadores e também apaixonados pela aviação que almejam ingressar no meio em qualquer área, temos que nos preparar no momento da crise. Por mais desanimador que possa parecer, temos que persistir e perseverar para que no futuro (e acreditamos que não muito distante) possamos prosperar.
    Assim como o colega nos comentários acima, iniciei minha formação no final de 2011, e enfrentamos a dificuldade de nos manter atualizados, e com carteiras em dias (financeiramente penoso). Porém sabemos que é questão de tempo para a retomada do crescimento, e desde a crise de 2014, já se passaram praticamente 5 anos, então estou otimista, e creio que já passamos da curva de baixa desse ciclo.

    No aguardo dos novos artigos!

    Um abraço!

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